A luz do abajur está baixinha, o silêncio da casa só é interrompido pelo choro inconsolável e você sente aquele aperto no peito, questionando se está fazendo algo errado. Se você está passando por isso agora, respire fundo. Ver o pequeno encolher as perninhas e o rosto ficar vermelhinho é angustiante, mas entender dicas para aliviar as cólicas do bebê é o primeiro passo para transformar esse momento de tensão em um elo de confiança entre você e seu filho. Esse desconforto, tão comum nos primeiros meses, não é um reflexo do seu cuidado, mas sim um processo de amadurecimento do sistema digestivo que logo vai passar.

O que realmente acontece no corpinho do recém-nascido

Para lidar com a situação, precisamos primeiro olhar para o que o bebê está sentindo. O sistema gastrointestinal de um recém-nascido é como uma máquina que acabou de sair da caixa e ainda está aprendendo a funcionar. Os movimentos peristálticos — aqueles que empurram o alimento — ainda não são coordenados, e a produção de gases pode gerar pressão.

Muitas vezes, a cólica surge no final da tarde ou início da noite, fenômeno conhecido como a “hora do lobo”. Além da questão física, existe a excesso de estímulos acumulados durante o dia. Barulhos, luzes e colos diferentes podem deixar o sistema nervoso do bebê sobrecarregado, o que reflete diretamente na tensão abdominal.

A diferença entre gases e cólica comportamental

É importante notar que nem todo choro é dor física. Às vezes, o bebê só precisa de silêncio e contenção. No entanto, quando as pernas se retraem em direção ao abdômen e o choro tem um tom agudo e persistente, estamos diante da clássica cólica. Identificar esses sinais ajuda você a manter a calma e aplicar as estratégias certas sem desespero.

Estratégias práticas e dicas para aliviar as cólicas do bebê

Existem diversas manobras que ajudam a liberar os gases e relaxar a musculatura intestinal. A mais famosa delas é a manobra da bicicleta. Deite o bebê de costas e movimente as perninhas dele como se estivesse pedalando, de forma suave e rítmica. Isso ajuda mecanicamente a movimentar o que está “preso” no intestino.

Outra técnica poderosa é o contato pele a pele. O calor do seu corpo funciona como uma compressa natural. Colocar o bebê apenas de fralda contra o seu peito ajuda a regular a temperatura dele e a acalmar os batimentos cardíacos, o que relaxa a musculatura do abdômen. Além disso, o uso de bolsas térmicas de sementes (sempre testando a temperatura no seu próprio antebraço antes) pode trazer um alívio imediato e reconfortante.

O poder do ambiente e da contenção

Você já reparou como o bebê se acalma quando é enrolado em um cueiro, o famoso “charutinho”? Essa técnica limita os movimentos bruscos dos braços, que muitas vezes assustam o próprio bebê (reflexo de Moro), e traz a sensação de segurança do útero. Um bebê seguro gasta menos energia chorando e, consequentemente, engole menos ar, o que previne novos episódios de dor.

A importância da amamentação e da pega correta

Muitas mães se perguntam se a sua alimentação é a culpada pelas dores do filho. Embora o que a mãe consome possa influenciar em casos específicos de sensibilidade, na maioria das vezes o problema está na ingestão de ar durante as mamadas.

Garantir que a pega esteja correta, com a boca bem aberta abocanhando grande parte da areola, é fundamental. Se o bebê estala a língua ou faz barulhos de “vácuo” enquanto mama, ele provavelmente está engolindo ar junto com o leite. Manter o pequeno em uma posição mais verticalizada após a mamada e garantir que ele arrote bem antes de ser deitado são cuidados simples que fazem uma diferença gigantesca nas horas seguintes.

Quando o choro parece não ter fim

Se mesmo após todas as manobras o bebê continuar inquieto, tente o “ruído branco”. O som de um secador de cabelo, de chuva ou do útero (disponíveis em aplicativos) remete ao ambiente intrauterino e ajuda o cérebro do bebê a se desligar do desconforto externo. É uma ferramenta de apoio emocional que muitas vezes interrompe o ciclo do choro por exaustão.

Dicas para aliviar as cólicas do bebê através da massagem Shantala

A Shantala não é apenas uma massagem, é uma forma de comunicação. Ao aplicar óleos vegetais próprios para bebês e realizar movimentos circulares no sentido horário na barriguinha, você está auxiliando o fluxo intestinal de maneira fisiológica.

  • Movimento “Sol e Lua”: Enquanto uma mão faz um círculo completo (Sol), a outra faz um semicírculo (Lua) logo acima.
  • Deslize de mãos: Coloque as mãos transversalmente na barriga e deslize-as para baixo, empurrando suavemente os gases para fora.

Fazer essa rotina em momentos que o bebê está calmo — e não durante a crise de dor — ajuda a prevenir que as cólicas se tornem intensas à noite.

Dúvidas frequentes sobre o desconforto abdominal

É normal o bebê ter cólica todos os dias? Sim, é muito comum que ocorra diariamente nos primeiros três meses. Se o bebê ganha peso e está saudável, geralmente é apenas o tempo que o corpo precisa para amadurecer.

O uso de medicamentos é recomendado? Qualquer medicação, mesmo as naturais ou em gotas para gases, deve ser rigorosamente prescrita pelo pediatra que acompanha seu filho. O que funcionou para a vizinha pode não ser o ideal para o seu bebê.

A dieta da mãe realmente interfere? Em alguns casos, o excesso de proteínas lácteas pode causar sensibilidade, mas antes de cortar qualquer alimento, observe o comportamento do bebê e converse com um especialista para não prejudicar sua própria nutrição.

Quando devo me preocupar com as cólicas? Se o choro vier acompanhado de febre, vômitos em jato, diarreia com sangue ou se o bebê se recusar a mamar, procure atendimento médico imediatamente.

O papel da rede de apoio no bem-estar da família

Cuidar de um bebê com cólica é exaustivo física e emocionalmente. Não tenha vergonha de pedir ajuda. Se você sentir que está perdendo a paciência ou chegando ao seu limite, coloque o bebê em um lugar seguro (como o berço) e saia do quarto por cinco minutos. Beba uma água, respire. Um cuidador calmo consegue transmitir muito mais segurança para o pequeno do que alguém que está no limite do estresse.

Lembre-se que essa fase tem data de validade. Geralmente, por volta do terceiro ou quarto mês, as cólicas desaparecem tão misteriosamente quanto surgiram, dando lugar a sorrisos banguelas e noites mais tranquilas de sono.


Este tempo que você dedica a entender e acolher as dores do seu filho está construindo algo invisível e indestrutível: o vínculo. Cada massagem, cada balanço e cada palavra de carinho sussurrada no escuro do quarto diz ao seu bebê que ele está seguro e que você está lá por ele. Vai passar, e logo essas noites difíceis serão apenas uma lembrança distante de um começo de vida cheio de aprendizados. Segure na mão de quem te apoia, confie no seu instinto e saiba que você está sendo a melhor mãe que o seu bebê poderia ter.